Posts que sugerem ligação entre inflação e descarte de alimentos usam vídeos de 2024 ou mais antigos

Com a inflação dos alimentos, voltaram a circular nas redes sociais vídeos que mostram produtos como cebola, tomate e leite sendo descartados.

As imagens são sempre acompanhadas de legendas ou comentários que dizem se tratar de cenas recentes e atribuem o descarte a uma forma de produtores manipularem os preços: com menos alimento em oferta, eles conseguiriam cobrar mais caro.

Muitos dos vídeos mais frequentemente compartilhados foram feitos em 2023 e 2024, e não nos últimos dias. Alguns deles já tinham circulado no fim do ano passado, em postagens com teor semelhante.

São descartes que aconteceram em regiões determinadas, como Irecê. Especialistas explicam que situações pontuais não poderiam ter efeito no preço de um produto para todo o país.

Alimentos como tomate e cebola, que aparecem sendo descartados em vídeos de meados de 2024, terminaram aquele ano com queda nos preços, por exemplo.

O cultivo de hortaliças está centralizado em médios e pequenos produtores e é mais suscetível às variações do clima. Por isso, seus preços também costumam variar ao longo do ano.

Em uma das gravações, um caminhão descarrega sacos de cebola, afirmando que os clientes estavam devolvendo os produtos. A postagem mais antiga encontrada com esse vídeo é de novembro de 2024, e ocorreu após chuvas intensas na região de Irecê, na Bahia, que comprometeram a qualidade do alimento. O excesso de oferta também influenciou o descarte. O preço da cebola caiu 35,3% em 2024.

“Maquinei, botei outra sacaria, mas não adiantou”, diz o homem. Ele acrescenta que o alimento “vem de Irecê”, que fica na Bahia, mas não menciona a data. A postagem mais antiga encontrada com este vídeo é de 11 de novembro de 2024, no Instagram.

Em um outro vídeo que mostra cebolas no chão, um homem aparece dizendo que está na região de Irecê e que é 13 de novembro de 2024.

Uma reportagem do Globo Rural exibida uma semana depois informou que 17 mil sacos de cebola foram descartados em uma roça de João Dourado, na região de Irecê, no início daquele mês.

Você pode ler a reportagem completa no site do G1 Agro.

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